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Texto Crú

Texto Crú

Momento

por Paulo Vinhal, em 30.09.16

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Este meu momento perfeitamente arrumado contrasta com os pensamentos vadios agrafados nas portas e com a leitura espalhada pelas mesas e pelo chão. Na harmonia profunda deste silêncio aterrador compreendo todas as coisas que me transportam até junto de ti, toda esta tinta marcada no sebo das folhas, todos os rostos virados no mesmo sentido.

Vozes

por Paulo Vinhal, em 28.09.16

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A música suave do velho rádio do meu pai não interfere com o mundo. Desliza através das paredes e pelo silêncio dos quintais. Penso em ti e na voz sem harmonia que se arrasta em tua busca pela escuridão. Estendo o incenso compacto pela quântica dos momentos na guerra das vozes e, aplacado por esta luz acesa, avanço destemido pelas tuas palavras dentro na bruma intensa da realidade.

No teu mundo

por Paulo Vinhal, em 22.09.16

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No torpor do transe da madrugada encontrei-te ao lado dos pensamentos e da voz carnívora. Inteira decifravas todos os caminhos. Só com a minha companhia, eu e a solidão saímos do meu mundo e entramos no teu entrelaçados no rumor surdo numérico.

Inverno

por Paulo Vinhal, em 21.09.16

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Chove há cinco dias. O núcleo do medo perdeu raízes com as sonoridades do inverno que me cercaram o coração junto contigo. Todas as minhas veias resvalam neste colete de forças, nesta simbiose de carne, neste sim suspenso. És tu que sonhas as palavras vivas. És tu que estendes as frases sentidas. És tu que estás.

Chamada

por Paulo Vinhal, em 21.09.16

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As cortinas que separam a sala do átrio, enrugadas e sujas nos rebordos, amortecem a luz do entardecer. O meu cansaço mantém-se silencioso e amparado pela cadência milimétrica do pousar das gotas de chuva no alpendre. Neste início de outono são as tuas mãos que me recordam a vida. Os teus gestos que me enquadram no tempo. A tua voz que me chama do mundo.

Tradução

por Paulo Vinhal, em 18.09.16

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Atiçada pelo carvão da língua destas folhas devoradas no azul-ferrugem, a tradução separa o animal sombrio das luras de pedra. Traz pela mão as águas dos campos e os traços dos corpos. Restaura a língua marcada e as entranhas nuas. Desvenda a harmonia cega no topo dos crivos. Nesta tradução onde a tua voz que canta...

Meu amigo

por Paulo Vinhal, em 14.09.16

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Segura meu amigo este barro no óleo das forjas. Estes poemas às portas libertam-te as mãos e o amor e a vida nas bocas dos sonhos. Sou eu que te leio estas folhas do sebo que corre da arte sendeira. Engulo estas terras erguidas e o ventre manchado que dorme deitado. Hoje e ontem meu amigo, igual sempre igual.

Animal

por Paulo Vinhal, em 13.09.16

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De encontro às paredes calibradas dos argumentos, as garras firmes do tempo apoiadas no septo nu. O próprio homem animal e besta erguido na destruição. A arte corrigida a tempo nos canais entendidos. Só tu e eu no ar macio da tarde que nos embala.

Contigo

por Paulo Vinhal, em 11.09.16

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Liberdade não sou eu nem a pedra. Reduzido a este coração casebre recomponho-me contigo na luta e retrato todos estes minutos na névoa dos dias de braços abertos.

 

Irmãos

por Paulo Vinhal, em 10.09.16

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Arte, meus irmãos. Palavras e morte. Abram as portas, fechem as portas, renasçam dos sonhos. Lado a lado neste abraço inóspito, nos gritos da boca, no agora marcado. Guardem estas minhas sombras no pó dos sapatos e estes meus pedaços no seio das turbas. Arte, meus irmãos. Atentos. Gradualmente, no renascer e na carne, atentos meus irmãos.

Estas linhas

por Paulo Vinhal, em 07.09.16

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Nas mãos deste segredo está este segredo guardado para a expansão do amor. Longe do renascer e dos cortejos da vida caminho como um monstro desligado e para os que sonham sou engolido por uma árvore crua nas letras dos dedos. Deixa as tuas portas abertas e esta voz na expressão. Deixa os teus braços nos braços e o teu lugar alinhado com estas linhas no mundo.

No fim do infinito

por Paulo Vinhal, em 04.09.16

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O sustenido da noite. O breu ancorado na tua densidade. O meu navegar bêbado pelo incêndio e a tua voz nas partículas. Os aracno rumores da violência através das paredes, a aurora ainda longe e os grilhões quebrados. Serenas, as tuas emissões e a tua viagem com os teus e os meus passos muito lentos como num sonho de vozes. O latejar da tua carne no meu coração e os teus beijos salientes rumo ao fim do infinito.

Sensi

por Paulo Vinhal, em 02.09.16

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E o velho hábito da guerra no coração de pedra. Como estes dedos ósseos esmagam a vida, meu amor, entre os cânones daqui e as chuvas que passaram. Só os pássaros mortos nos campos de lousa.

 

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